terça-feira, 25 de agosto de 2009

Diálogo e TV: Uma combinação que pode dar certo

Sendo a televisão um tema bastante abordado no campo educacional,tomei como iniciativa diante de uma preocupação, enquanto educadora, de refletirmos um pouco sobre o processo educativo dos alunos dentro e fora da escola. É a partir desse "olhar extra" que reflito sobre as qualidades dos programas de televisão, sobre a influência da mídia no quadro educativo e no consumismo,s obre as imagens que são extremamente indecentes, sobre o resgate dos nossos valores...

Não acho que existam apenas programas ruins, mas convido vocês a partilharem de uma reflexão sobre a relação criança X educação X TV. Ao que assistimos hoje, são imagens de um individualismo exarcerbado, imagens que evidenciam que para ser alguém se faz necessário passar por cima de tudo e de todos, imagens violentas, desnecessárias, uma enxurrada de informações agregadas à banalização da violência e à erotização dos costumes.

Questiono e divido dessa responsabilidade juntamente com a família. Será a televisão vista como processo construtivo ou destrutivo? Quais são os programas que realmente vem contribuindo e acrescentando na educação e na formação desse futuro cidadão que estamos "construindo"? Será que bombardeados por essas imagens estaremos permitindo e abrindo espaços para "nossas crianças" (alunos, filhos, netos) pensarem com independência e viverem num mundo dentro da realidade? Realidade esta que se chama INFÂNCIA.

Infância, fase de construção do sujeito que tanto prezamos, fase em que construímos as conexões para o futuro, onde vão formar os alicerces para diferenciar o bom e o mau, o certo e o errado, o real e a fantasia. Hoje, cada vez mais a criança antecipa as fases da sua própria infância. Abrem mão da infância para embarcar no mundo imaginário da TV, do videogame, da internet. Pula etapas, torna-se adolescente cada vez mais cedo, vive papéis que não são seus, usam palavras que não são suas, vestem-se como personagens, usam roupas do comercial da TV...

Por onde anda a identidade dessas crianças? Por onde se espalharam os nossos valores?
O que fazer diante de uma mídia que avança tão rapidamente e invade a nossa casa como uma forte cheia? Como fazer para combater essas imagens destrutivas que nos deixam impregnados de valores que não são nossos? Não podemos fechar os olhos e não enxergar a péssima qualidade do que se oferece na televisão. Não podemos ficar indiferentes. Não podemos deixar a criança viver apenas a fantasia.


É importante que ela perceba que a sua volta existe uma outa realidade. A falta de conversa e diálogo em casa agrava ainda mais a influência negativa que a televisão pode exrecer. E acaba sendo desperdiçada a chance de investigar a reflexão. O que é essencial mesmo é haver um filtro de qualidade (dos pais, no caso dos menores, e em parceria, para os maiores) e a audiência compartilhada, sempre que for possível. Pois ao mesmo tempo que a televisão atualiza informação e traz conteúdos positivos de outras culturas e da nossa, pode vir carregada de textos e imagens indiscriminadas.

Não devemos esconder das crianças o mundo real, não devemos abusar da autoridade do adulto para adotar uma ação baseada na proibição você não assiste, você não veste,você não usa. Repito, precisamos sempre abrir espaço para discussões com nosso filhos, alunos, netos. Nós, enquanto educadores, abrimos espaço sim, na Sala de Aula, para falar de TV, pois quando o professor convida as crianças a se expressarem sobre os programas que assistem e eles podem se expressar por meio de brincadeiras, de textos e desenhos - está libertando seus alunos do silêncio passivo. Falando de TV, o educador estará falando sobre ética, sobre convivência, sobre cidadania... Podendo ele ser o agente de enormes transformações.

Os telespectadores mirins captam todas e quaisquer imagens transmitidas, são curiosos e observadores até demais. Se não estivermos próximos a eles para orientá-los, educá-los e debater, deixaremos que a televisão "eduque" por nós, ou melhor,"desduque".

Camila Domingues
texto escrito em 2005
(publicado no Diario de Pernambuco, página de artigos)

Nenhum comentário: